domingo, 21 de setembro de 2014

Lançamento do livro Meandros do Destino

Sua vida, nossa história / Else Baukat
História da família de Else Baukat (in memorian)

         Introdução do livro

      É da índole do ser humano a necessidade do conhecimento de sua origem, de onde veio, quem foram seus antepassados. Com esta preocupação em mente, solicitei à autora da presente obra a compilação de um histórico familiar dentro de suas possibilidades de conhecimento. Não imaginava que surgiria uma extensa autobiografia, nem que, três décadas depois, teria que escrever tudo novamente, traduzindo o original, escrito em idioma alemão, para o português do Brasil. Isto se tornou necessário pelo fato de todo o acervo legado ser destinado a todos os seus descendentes, a fim de que estes possam entender e usufruir da mensagem que nos transmitiu, contendo todas as nuances, facetas e aspectos de uma vida, com momentos racionais e emocionais, dramáticos e cômicos, tristes e alegres. Há de se levar em conta que para tal tarefa se necessita de uma mente lúcida, ágil e bem disposta para rebuscar na memória longínquos acontecimentos do passado, com a colocação de números, datas, locais geográficos e pessoas. Se houver lacunas, não houve omissões, pois fatos relevantes são mais bem lembrados do que rotineiros, e quanto mais se avança pela estrada da vida, mais a memória acaba nos pregando peças. A perspectiva da autora sempre foi pessoal, de seu ponto de vista, como ela o entendia. Assim, em diversos trechos, seu escrito transparece momentos de expressões emocionais que tocam fundo  coração, outros denotam tolerância e compreensão que, juntamente com traços de pragmatismo, perfazem as características da autora. Este trabalho procurou ater-se, na medida do possível, à mais autêntica fidelidade ao original, na conversão idiomática, a fim de que fossem mantidos os verdadeiros sentidos e pensamentos da autora. Igualmente mantida a grafia original de nomes pessoais, localidades e cidades, bem como regiões geográficas dos países onde a autora esteve ou por onde passou. Este procedimento visa facilitar a localização, em mapas ou outros meios, das regiões geográficas e cidades contidas na obra. Finalizando, este trabalho de tradução é um compromisso assumido primeiro com a autora, segundo com todos os membros de nossa família, possibilitando que a sua mensagem alcance toda a sua descendência. Espero ter contribuído para que esse objetivo seja atingido.

                     Rodolfo Baukat

"Quem nunca comeu um pão com lágrimas, quem não passou noites em desespero, sentado, chorando na sua cama, não vos conhece, celestiais poderes". Goethe

Pavilhão da Igreja Luterana de Marcílio Dias. Sábado 20 de setembro de 2014.


Exposição de fotografias antigas e atuais de Fátima Santos.

Coquetel.






Foto Prefeitura de Canoinhas.

Foto: Prefeitura de Canoinhas.

Erika Baukat.
Foto: Prefeitura de Canoinhas.

Foto: Prefeitura de Canoinhas.

Família Baukat.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Else Baukat, uma história de vida

 
    O diário de viagem que Else Baukat começou a escrever indo para Alemanha, 32 anos depois de ter chegado ao Brasil, deu início a ideia de publicação de um livro que contava a história da trajetória da família Baukat. Else Kate Erna Baukat, nasceu na Alemanha em 19 de setembro de 1900. Viveu sua infância e adolescência naquele país. Em 26 de janeiro de 1924, partiram no navio Villagarcia, ao todo 200 famílias. Aportaram em Santos em 21 de fevereiro de 1924. O casal Else e Wilhelm Karl Baukat chegaram ao Brasil, com os filhos Hans e Alfred. Na ocasião Else estava grávida de Helmut, que nasceu cinco meses depois de desembarcarem no país. Depois viriam os filhos Eva e Rodolfo Baukat. Em uma conversa muito descontraída com do Sr. Rodolfo Baukat e sua esposa Margarida, pudemos conhecer um pouco dessas histórias que o livro irá relatar. A chegada da família em Timbó, que foi por uma picada na mata. “Quando eles chegaram ao local, era um rancho de xaxim coberto com folhas de palmeiras e xaxim para não entrar água. Minha mãe uma secretária executiva com quatro filhos pequenos, não pensou duas vezes, pegou as ferramentas e ajudou na construção da casa”, conta Rodolfo. Durante a permanência da família em Timbó, Else foi convidada pelos índios da região a participar de uma celebração. Em 1931 a casa foi destruída por um tufão, onde até os filhos foram arrastados. A família reconstruiu a casa junto com os demais moradores do local. No ano de 1933 uma avalanche quase destruiu novamente a casa do casal, foi onde a família decidiu se mudar. Em 1947 a família se mudou definitivamente para Marcílio Dias, onde dona Else ficou conhecida pelos quase 500 partos que fez durante sua vida. Quando veio para o Brasil, ela trouxe com a bagagem um livro de medicina Alemã. Com essa literatura em mãos, ela conseguia fazer o pré-natal das gestantes e o acompanhamento depois do nascimento do bebê. Em algumas ocasiões ela pedia para que a futura mamãe fizesse exames e em casos graves pedia para que a mesma procurasse um médico.
     Rodolfo o filho caçula do casal, em 1970, pediu à mãe que escrevesse a trajetória da família. Ela escreveu as histórias da família, as lutas, conquistas e alegrias dos Baukat, em alemão. Foi assim que se originou a autobiografia, traduzido por seu Rodolfo Baukat para o Português, o livro traz as histórias da família e as duas viagens que Dona Else foi para a Alemanha visitar a mãe. Ela foi de caminhão até com o filho Helmuth e Rodolfo até Santos, São Paulo e de lá de navio até a Alemanha. As viagens de navio duravam em média dez dias, assim ela tinha tempo de relatar os acontecimentos importantes no diário. Sua terceira e  última viagem para o país de origem foi para resolver assuntos de família, pois era filha única e sua mãe havia falecido. 
Texto: Pollyana Martins do Jornal O Planalto.
 


Livro de medicina "A médica em casa" de 1920 trazida da Alemanha
por Frau Baukat para aprimorar seus conhecimentos.

Rodolfo filho mais novo com a esposa Margarida.

Casa onde morou a dona Else em Marcílio.


 



 
Irmãos Helmuth com 90 anos e Rodolfo com 80.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Convite

 Vídeo: Rodolfo Baukat, filho de Else Baukat.

Lançamento do Livro Meandros do Destino
Sábado, 20 de setembro
Local: Pavilhão da Igreja Luterana de Marcílio Dias
Horário: 14 horas
Foto: Portal de Canoinhas.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Educação nota 10

"Há o tempo de plantar e o tempo de colher. Quando se sabe esperar pelo momento certo da colheita, sem se descuidar nunca de dispensar atenção às sementes, ao crescimento, às regas, às podas, as plantas produzirão bons frutos. A EEB Manoel da Silva Quadros,
investiu sempre nisso. O sucesso dos alunos sempre foi o sucesso e o orgulho de todos. Parabéns a toda a equipe do Manoel, que hoje, orgulhosamente comemora mais um sucesso, ter o melhor IDEB, de 1º ao 5º ano e o 3º lugar de 6º ao 8º ano, da região. Parabéns aos professores, a Diretora Siomara Nunes Carlos, a Emilia Sandra Bosse, a Lucimara Cordeiro, Clodoaldo e a todos os demais envolvidos e merecedores de aplausos."
Marilde Salomon Ruppel
 
Alunos do 6º ano com a Professora Erli Finta, à direita, com a Diretora Siomara
Carlos e o Assistente Técnico Pedagógico Clodoaldo Granza.
 

 

domingo, 14 de setembro de 2014

Caçada de Perdizes

          Ao tempo que meu pai era ferroviário e tinha saúde passava o seu tempo de folga e de férias preparando os apetrechos para as caçadas e correndo pelos campos que rodeavam Marcílio Dias atrás daquelas aves de sabor delicioso, as famosas perdizes.
         Havia o tempo certo para as caçadas, o tempo regulamentado pelo ciclo de vida das aves. Não se podia caçar ao tempo da postura e quando as crias eram pequenas sob pena de extinção da espécie.
         Para meu pai e seus amigos e companheiros de caçada isto era não apenas lei, mas um dogma, uma doutrina de vida.
        Sei que muitas pessoas participavam deste esporte, mas não me lembro ou nunca soube ao certo quem eram. O que não esqueço é daqueles aficionados de sempre.
       Eram os dois Olsens, do tempo que me lembro: Seu Wiegando e Seu Waldemiro. Muitas vezes o médico Dr. Oswaldo de Oliveira ia para os campos com eles. Depois também o Seu Alfredo Lepper veio a participar.
      E da companhia de Dr. Oswaldo o que se contava depois é que ele é que fazia a partilha das perdizes com uma aritmética sui-generis. Quando ia ele, seu Wiegando e meu pai então a divisão, a partilha que era para ser para três a que ele fazia era assim:
     A primeira para ele, Dr. Oswaldo, e falava assim: “Uma para mim (e punha a perdiz junto dele), outra para você (e a entregava para seu Wiegando), outra para você (e colocava uma ao lado de meu pai) e outra para mim (mais uma para ele). E depois continuava sempre nesta sequência: uma para mim, uma para o seu Wiegando, outra para meu pai e mais outra para ele. Ao final ele sempre ficava com o dobro dos demais... Claro que todos percebiam a história e só davam risadas contando a façanha depois... Mas... era para o Dr. Oswaldo...então podia ficar assim mesmo, não tinha importância.
     O preparatório era intenso, minucioso e gradual. As armas que eram as espingardas de dois canos tinham que ser diariamente limpas e lubrificadas. Meu pai tinha os seus apetrechos que incluía uma maquininha de manivela onde colocava os cartuchos e os enchia com a pólvora, o chumbo e algo mais que não lembro; era como se fosse um pouco de serragem de madeira, mas não posso afirmar com certeza. E por último a espoleta que era encaixada num orifício situado na parte proximal (ou final) do cartucho. Os cartuchos eram de metal de cor dourada, talvez feitos de alguma liga que continha cobre e latão, não sei.
     Sem dúvida que, sem os cães, não haveria caçada. Eram os chamados perdigueiros. E iam animados, porque para eles era uma festa. Encontravam as aves escondidas nas moitas e ao chegar perto faziam com que elas alçassem voo e então o caçador da vez mirava e atirava. E depois o cachorro ia buscá-la onde tivesse caído e a entregava aos pés do caçador. Os melhores cães não machucavam as perdizes, abocanhando-as sempre pela cabeça para que não se estragasse a parte que iria para a mesa dos banquetes especiais.
     Perdiz em casa era sempre uma festa. Era sempre um almoço ou um jantar especial. Mamãe a preparava “à cacciotore”, ou seja, à moda de como se prepara uma ave silvestre que foi caçada.
    Eram depenadas a seco, sem água fervente como se faz com as galinhas e outras aves domésticas. O preparo restante era igual. Cortadas em pedaços corretos, obedecendo a um plano de clivagem que não deixava partes agudas nos ossos; os cortes eram jusantes às articulações. Eram temperadas e colocadas para assar nos fornos dos fogões à lenha.      Em cima de cada pedaço da ave era espetado um pequeno pedaço de toicinho e uma ou duas folhas de sálvia. E durante o todo tempo em que estavam no forno deveriam ser regadas com o molho do tempero, acrescido de muita manteiga. Imagine o sabor! Que saudade! São coisas que, como sempre diz uma sobrinha minha: “Quem aproveitou o que a vó fazia, aproveitou; quem não aproveitou, não aproveita mais!”
     E, claro está que, em nossa casa, sendo casa de italianos, era sempre servida em cima da polenta. As travessas já iam para a mesa com a polenta por baixo e as peças das perdizes assentadas em verdadeiros ninhos que minha mãe fazia com uma concha.
    Uma surpresa muito grande aconteceu no casamento de minha irmã Avany que foi em janeiro: o prato principal do almoço do casamento era polenta com perdiz, à moda da Dona Nena. Como poderia ter perdiz ao forno em pleno mês de janeiro. E minha mãe ria explicando que tudo tinha sido muito simples. À época propícia das caçadas ela preparou normalmente as perdizes, sem, no entanto, deixá-las assando ao ponto, mas retirando-as antes e as colocava em vidros de conserva, mergulhadas em azeite. E colocou os vidros para fervura assim como ainda hoje são preparadas as conservas. No dia da festa foi só abrir os vidros, colocar as peças nas assadeiras e levá-las ao forno a fim de ficarem no ponto certo para serem servidas.
     A época certa para a caça não sei ao certo, mas creio que só a partir do mês de maio até setembro, talvez que é quando começa a fase da postura.
     Talvez não se fale mais em caçar perdizes por aqui porque a população delas tenha diminuído. Os campos e banhados, que eram seu habitat natural e que se estendiam pelas margens de nossos rios estão hoje já quase “urbanizados”...
    Não me lembro de restrições à caça de perdizes e nem que alguém fosse contra. Mesmo hoje em dia esta caça é estimulada com a finalidade da preservação da espécie o que parece ser uma contradição. Mas é que assim a difusão dessas aves é estimulada e há também muitas criações delas em cativeiro com a finalidade única de serem servidas como uma iguaria especial.
Texto de Adaír Dittrich

Caçadores de perdizes de Marcílio Dias.
Foto cedida por Luciana Pizzatto.
Foto de Álvaro Uhlig, cedida por Fernando Tokarski.
Escrita atrás da foto: Fazenda Schadeck, em Papanduva, SC, 1929. 


Canoinhas. Janeiro de 1915. O 12º Batalhão de Infantaria na Estação Ferroviária.
Estação de Canoinhas, hoje Marcílio Dias. À esquerda o Restaurante que meus nonos Pedro e Tereza Gobbi construíram. Esta estação foi incendiada pelos jagunços. E o armazém mais à direita, aos fundos, também foi consumido pelo fogo muito tempo depois. Armazenados estavam tonéis de gasolina. Quem presenciou este incêndio dizia que parecia uma guerra pelo estrondo das explosões dos tonéis de combustível que eram arremessados ao ar ardendo em chamas como se fossem rajadas de inúmeros canhões."
Informações de Adaír Dittrich. Foto postada no Facebook por Everaldo E. Barcelos.


sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Parabéns Canoinhas!

Que Deus abençoe esta terra querida!
Há 103 anos superando desafios e progredindo.
Construindo história e realizando sonhos daqueles que escolheram aqui viver.
                            
                          Canoinhas antigamente.
Escoteiros desfilando em frente a SBO.


Esquina entre a rua Major Vieira e Getúlio Vargas, em frente a Para Todos.

Onde antes era a linha do trem, hoje rua Vendelin Metzger em Canoinhas.

Caminhoneiros da Firma Olsen.
Canoinhas hoje...









Fotos atuais: Fátima Santos.
Fotos antigas de Álvaro Uhlig cedidas por Nilda Burigo.