domingo, 25 de junho de 2017

Memórias de uma mulher de ferroviário - Parte II

  "Fui morar em Curitiba com outra tia para aprender a costurar. Lá fiquei durante quatro anos. Então, eu não sei o que era ser adolescente e jovem. Com treze anos já tinha responsabilidades como cuidar dos irmãos, ajudar os pais, fazer o serviço da casa, cuidar de cada irmãozinho que nascia. Era muito difícil, mas ao mesmo tempo era bom porque aprendi a me virar na vida a não receber tudo pronto.
   Quando fui pra Curitiba já conhecia o Zézo (José meu futuro marido), a gente namorava de longe, só nos encontrávamos quando eu tirava uns dez dias de férias, quando minha tia, que era professora, pegava férias.
    O Zézo começou a trabalhar na Rede Ferroviária quando tinha dezesseis anos em Corupá, depois em Jaraguá. Quando a gente se encontrava sempre tinha um irmão junto vigiando. Mais tarde ele retornou para General Osório para trabalhar na estação. Eu voltei de Curitiba, foi, neste tempo, que  a Indústria Pigatto transferiu-se para Calmon, eu fui com meus pais, fiquei lá por onze meses,  já era noiva. O Zézo me fez uma surpresa, foi trabalhar como substituto lá em Calmon. O lugar onde moramos ficava a dezesseis quilômetros da vila, nem igreja tinha. No centro de Calmon, que era bem povoado, tinha a estação do trem, igreja, cartório. Foi onde eu e o Zézo nos casamos.
    Zézo voltou pra General Osório pois já tinha vencido o tempo de férias do funcionário que ele estava substituindo. Quando retornou pra Calmon foi para casarmos, no dia 12 de setembro de 1959. Chovia muito naquele dia,  fui casar de caminhão que deslizava na estrada de barro. O casamento foi realizado às 10 horas e o convidados participaram do almoço, janta e muitos posaram na casa dos meus pais e só foram embora no domingo. Todos os empregados da serraria foram convidados, naquela época não se deixavam ninguém de fora, nem amigos nem parentes. O churrasco foi assado em espeto de madeira e assado em buracos feitos no chão. Como chovia muito meu pai fez embaixo de um rancho. Minha mãe com a ajuda de parentes fez o almoço com maionese e outros pratos e os cuques. O bolo e o meu vestido de noiva, foi a mulher do patrão que fez.
       Na segunda-feira retornamos embora pra General Osório onde moramos  numa casa alugada."
Continua...
Casamento de Zézo e Irene.
 

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