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| Na estação de Canoinhas: Cesário, Orlando Galloti, Sampaio e o maquinista durante a greve dos ferroviários nos anos 60. |
Povoado mais antigo de Canoinhas, foi colonizado por alemães. Nele ainda nota-se a presença de arquitetura em madeira e no estilo enxaimel. Era conhecido como a Capital da Manteiga, em função da produção de manteiga e derivados do leite por vários proprietários que possuiam rebanhos bovinos da raça holandesa.
segunda-feira, 3 de agosto de 2026
Há 96 anos a estação de Canoinhas era inaugurada
Acontecimento marcante, ocorrido logo no início da década de 30, foi, sem a menor dúvida, a inauguração do ramal da estrada de ferro ligando a antiga estação de Canoinhas (atual Marcílio Dias), ao centro da cidade, então Ouro Verde. Enfim, passava a ser realidade a justa aspiração de sua população, alimentada, por sinal, durante anos seguidos. A propósito desse fato é interessante esclarecer que o pequeno trecho de pouco mais de 4 km de extensão, levou quase três anos para ser concluído, o que não é para admirar uma vez que, todo ele foi construído na base do "muque", ou seja, à picareta, sendo que o material retirado dos cortes abertos na rocha, era transportado por "galeotas" puxadas por dezenas de burrinhos ensinados, que descarregavam suas cargas automaticamente nos aterros, sem o auxílio de qualquer pessoa. Finalmente, depois de alguns adiamentos, foi marcado o dia 3 de agosto de 1930, para a sua inauguração, cujo ato, conforme estava programado, deveria contar com a honrosa presença do eminente catarinense Dr. Vitor Konder, então Ministro da Viação do Dr. Washington Luiz, então Presidente da República. Não podendo, entretanto, estar presente ao ato na data marcada, por motivo de força maior, Sua Excelência designou para representá-lo na solenidade, o Dr. Hermes Fontes, festejado poeta sergipano e Chefe de seu gabinete. Como estava previsto, a numerosa comitiva chegou em trem especial na hora marcada, às 10:50 h em ponto, sendo saudada por uma banda musical, vivas e foguetes, perante grande número de populares. Após os cumprimentos protocolares, as autoridades presentes deram início às inaugurações programadas. Primeiro a "gare" da estação, colocada a partir daquele momento à disposição de seus usuários. Depois, foi a vez da praça recém construída, especialmente para a ocasião, tendo como destaque, no centro, o busto, em bronze, do Dr. Vitor Konder, um trabalho primoroso do escultor Rodolfo Bernardelli, fundido no Rio de Janeiro. Em nome do povo, agradecendo a inestimável contribuição do homenageado para o êxito da importante obra, falou o Dr. Osvaldo de Oliveira, na época Superintendente Municipal de Ouro Verde. Terminada a primeira parte do programa, a comitiva, autoridades presentes e os convidados especiais dirigiram-se para a Sede do Clube Canoinhense onde foi servido um lauto almoço ao digníssimo representante do Ministro Vitor Konder. Foi outra recepção memorável, talvez maior ainda àquela oferecida anteriormente ao Governador Adolfo Konder. Vários e aplaudidos discursos foram proferidos na oportunidade. Em nome da população usou da palavra o Dr. Edgard da Silva Pedreira, Promotor Público da Comarca, que em certo trecho de seu discurso, publicado no jornal AVANTE, de 8 de março de 1930, disse o seguinte: "Basta lembrar que a sua criação (do município de Canoinhas) data de 1911. A sua sede, esta prometedora localidade foi elevada à categoria de cidade em 1923. A princípio sua renda não atingia a 20 contos de réis. Hoje ascende a 250 contos. Em 1924 tínhamos dois automóveis, agora já existem mais ou menos uns 300 automóveis e caminhões. Temos duas mil e tantas carroças... A sua safra de erva-mate atinge uma média anual de 700 mil arrobas". E por aí foi, como se percebe cada vez mais empolgado, exaltando o potencial de nossa terra. Em seguida falou o engenheiro Dr. Edmundo de Almeida Monte, Fiscal Federal das Estradas de Ferro e por fim, o Dr. Hermes Fontes que disse em belas palavras da imensa alegria que o empolgava pode ver compreendido pelo povo, o esforço, o carinho e o patriotismo do Ministro Vitor Konder para com a sua terra, procurando dotá-lo de elementos de progresso". Um parênteses. Ao registrarmos esse episódio, parece incrível que tenha acontecido, impunemente, na história recente de Canoinhas o seguinte: Do ramal ferroviário, desativado no Governo Jânio Quadros, nada sobrou. Até a velha "Maria Fumaça", sumiu. Nem o viaduto da rua 3 de Maio, foi poupado. E o que é mais grave ainda: Essa obra de arte, monumento admirável da engenharia brasileira, construída com cimento trazido da Polônia, antes da Segunda Grande Guerra, foi simplesmente arrasada à dinamite, certo dia, por ordem expressa de um certo "alcaide" como se fosse uma simples pedreira, no centro da cidade, que estivesse prejudicando o trânsito de veículos ou mesmo de pedestres.
Que pena!
Texto de Orty de Magalhães Machado extraído do tabloide comemorativo do Clube Canoinhense de 7 de setembro de 1992
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